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“Mini
– Hídricas”
Aproveitamentos Hidroeléctricos
1
- Introdução
2 -
Definição
3 -
Características gerais do
aproveitamento
4 -
Estimativa da energia produzida
5 - Classificação das
centrais hidroeléctricas
6 - Bibliografia
1 - Introdução
O aproveitamento
optimizado dos recursos energéticos é um vector necessário ao
desenvolvimento e ao progresso económico. Os vários choques
petrolíferos, com o resultante agravamento das condições de dependência
do nosso país, devem ser lembrados no momento em que a conjuntura
energética é de poupança, urge, assim, valorizar recursos.
Os aproveitamentos hidráulicos
desempenham em Portugal uma função importante na produção de energia
eléctrica utilizando recursos próprios e renováveis.
A figura do pequeno produtor de energia
eléctrica tem sofrido alterações, motivadas sobretudo pelos choques
petrolíferos que tiveram o mérito de evidenciar o carácter finito não só
da fonte de energia como também a necessidade de diversificação.
Os pequenos aproveitamentos
hidroeléctricos, vulgarmente designados por Mini-hídricas, representam
apenas uma pequena percentagem do valor total da potência instalada.
Este tipo de aproveitamento é promissor no contexto do sistema
electro-produtor.
Além da produção de energia eléctrica os
aproveitamentos hidroeléctricos podem ter outras finalidades,
designadamente o armazenamento de água para abastecimento doméstico e
industrial, ou para rega, o controle de cheias, o controle de intrusão
salina em estuários, a navegação e o lazer.
2 - Definição
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Entende-se por Mini-Hídricas
centrais de aproveitamento hidroeléctrico com potências
instaladas inferiores a 10 MVA.
Os aproveitamentos
hidroeléctricos visam a produção de energia eléctrica, a partir
da energia potencial da água dos rios que, em regime natural, se
dissipa ao longo do leito. Os aproveitamentos hidroeléctricos
podem funcionar como fios de água, isto é, aproveitar a energia
dos caudais fluviais em regime natural, ou podem armazenar, na
albufeira, os caudais que ocorrem em regime natural, para a
utilização em condições mais vantajosas, isto é, durante as
pontas de consumo, ou durante os períodos mais secos, alterando
o regime natural de caudais afluentes ao aproveitamento. Quanto
maior for a capacidade da albufeira relativamente aos caudais
afluentes, maior é a eficiência com que o
aproveitamento produz energia
nas horas de ponta de consumo ou nos períodos secos, sendo,
consequentemente, maior o valor da energia produzida. |
3 -
Características gerais do aproveitamento Mini-Hídrico
B - Órgãos anexos
Os órgãos anexos da
barragem são os descarregadores de cheias, as descargas de fundo e de
meio fundo e as tomadas de água.
Os descarregadores de cheia de
superfície, que podem ser equipados ou não com comportas, têm por função
assegurar a descarga das cheias afluentes à albufeira, sem galgar a
barragem, com um determinado risco, durante o período de vida da obra.
As descargas de fundo são orifícios do
corpo da barragem, que têm por função assegurar o completo esvaziamento
da albufeira, por exemplo da reparação da barragem, auxiliar a descarga
de cheias, e, por vezes, expulsar os sedimentos depositados no fundo da
albufeira junto da barragem.
As tomadas de água têm por função captar
a água da albufeira para rega, abastecimento de água e para produção de
energia.
C - Circuito Hidráulico
Será constituído por
uma tomada de água, uma conduta adutora, uma câmara e uma conduta
forçada até
a central.
O circuito hidráulico
de um aproveitamento hidroeléctrico é constituído, tipicamente, por dois
trechos:
- a adução, normalmente com um
pequeno declive, em canal aberto, em conduta ou túnel.
- a conduta forçada, com grande
declive, entre a cota de jusante da adução e a cota da central.
Para a protecção do circuito hidráulico
contra as variações de pressão hidráulica motivadas pela entrada
em funcionamento e pela paragem dos
grupos turbina – alternador da central, são utilizados dispositivos
hidráulicos, normalmente localizados entre a adução e a conduta forçada,
designadamente chaminés de equilíbrio ou câmaras de carga.
D - Central Hidroeléctrica
A central é um
edifício que abriga os grupos turbina – alternador, que produzem energia
eléctrica da energia hidráulica, os quadros de comando e, por vezes, os
transformadores.
A central pode localizar-se junto do pé
da barragem, aproveitando o desnível criado pela própria, ou
localizar-se a jusante, por vezes a vários quilómetros, aproveitando
também o desnível do rio. No primeiro caso o circuito hidráulico é
curto, sendo constituído apenas por uma conduta forçada ou por várias
condutas forçadas em paralelo, por vezes integradas na própria estrutura
da barragem. No segundo caso a adução pode ser bastante extensa, tendo
um traçado praticamente de nível, ao longo de uma das encostas do vale a
jusante da barragem.
O número, o tipo e as características da
turbina que equipam as centrais são seleccionados em função da queda
(diferença entre os níveis de água na albufeira e do eixo das turbinas)
e do caudal.
D.1 – Turbinas
As
turbinas hidráulicas transformam em energia mecânica a energia cinética
possuída pela água à sua entrada na turbina e tornam-na disponível num
eixo, ao qual é ligado o rotor do gerador eléctrico – normalmente um
alternador.
As turbinas são constituídas
essencialmente por duas partes : o distribuidor e o rotor . O primeiro
conduz a água ao rotor, segundo a direcção adequada a um melhor
rendimento, e este efectua a transformação em energia mecânica.
As turbinas hidráulicas são
classificadas em :
- turbinas de acção ( PELTON
);
- turbinas de reacção ( FRANCIS
e KAPLAN ).
As turbinas de acção não funcionam
imersas na água turbinada, mas sim ao ar livre; a água encontra a roda
móvel ( rotor ) através de jactos, sendo a pressão de entrada e de saída
iguais.
As turbinas de reacção trabalham no seio
da água turbinada e podem ser do tipo Francis ou Kaplan. A água penetra
na roda móvel por toda a periferia, fazendo a descarga paralelamente ao
eixo de rotação.
Nas turbinas de reacção a pressão à
saída é inferior à entrada. Estas turbinas são normalmente utilizadas
para médias e baixas quedas.
Os elementos comuns às turbinas a
reacção são a câmara de entrada, o distribuidor, a roda móvel ( rotor )
e o difusor.
Turbinas Pelton
Nas
turbinas deste tipo, de que se representa um esquema na figura a seguir,
a distribuição é feita por um a quatro tubos injectores denominados
tubeiras.
As pás do rotor das turbinas Pelton têm
a forma de uma concha dupla, como se pode visualizar.
A velocidade de saída da água da turbina
é muito pequena, o que permite um rendimento muito elevado (até 93%).
Estas turbinas são normalmente
utilizadas para altas quedas ( 250 a 2500 metros) e para pequenos
caudais ( entre 0.2 e 10 m3/s), sendo o número de rotações
baixo. A instalação da turbina é feita normalmente com o eixo
horizontal.
Na figura seguinte representa-se uma
turbina Pelton com dois injectores.
Turbinas Francis
A
câmara de entrada é o recinto que orienta a água na direcção da
turbina. Pelo seu lado o distribuidor permite efectuar a regulação da
potência da turbina por regulação da inclinação das pás.
As turbinas Francis podem ser de eixo
vertical ou horizontal e são normalmente utilizadas para quedas entre 10
e 250 metros e para caudais entre 10 e 50 m3/s. Apresentam,
face às Pelton, um rendimento máximo mais elevado, velocidades maiores,
menores dimensões e a possibilidade de serem utilizáveis em saltos
(desníveis de queda ) variáveis.
Turbinas Kaplan
As
turbinas Kaplan ou turbinas a hélice são utilizadas normalmente para
baixas quedas de água, inferiores a 50 metros, e para caudais até 350
m3/s.
Nestas turbinas, a roda móvel possui
poucas pás, relativamente estreitas e com a forma de hélices de barcos,
e têm inclinação regulável, o que permite bom rendimento.
Estas são, por vezes, montadas com o
eixo horizontal e denominando-se, nesses casos grupos bolbo. O
alternador é directamente acoplado á turbina, sendo o conjunto submerso.
Estas turbinas são utilizadas para
quedas muito baixas ( de alguns metros).
Na figura seguinte
apresentamos, sob a forma de um gráfico de coordenadas Hu (queda útil) e
Q (caudal), as "manchas" de utilização das turbinas mais vulgares (
Pelton, Francis e Kaplan).
Certas centrais hidroeléctricas são equipadas com grupos reversíveis,
isto é, podem bombear água de jusante da barragem, lançando–a na
albufeira, nos períodos de menor consumo de electricidade. A água
bombeada pode ser, assim, reutilizada na produção de energia, nos
períodos de ponta, em que o valor de energia injectada na rede é maior.
D.2 -
Alternadores
Os alternadores
poderão ser síncronos ou assíncronos de acordo com a potência
pretendida. Os mesmos poderão funcionar como motores, nomeadamente para
bombear a água. Os alternadores síncronos, como máquinas de dupla
excitação poderão ainda ter a função de fazer a compensação do factor de
potência.
O factor potência da energia fornecida
por geradores assíncronos durante as horas de cheias e de ponta não será
inferior a 0.85 indutivo, devendo ser instaladas as baterias de
condensadores que forem necessárias.
Os geradores síncronos deverão manter um
factor de potência entre 0.8 indutivo e 0.8 capacitivo perante variações
na tensão da rede pública. Durante as horas de vazio não é permitido o
fornecimento de energia reactiva à rede.
D.3 -
Linhas de transporte
As linhas de
transporte de energia têm origem nos transformadores localizados junto
da central, e transportam a energia, em alta tensão (15 KV a 400 KV,
dependendo da potência instalada na central), até aos locais de
utilização.
Os sistemas de produção estão equipados
com protecções que asseguram a sua rápida desligação quando ocorram
defeitos.
E -
Restituição da água
A água depois de turbinada é
recolhida num canal, sendo conduzida por meio deste ao rio, ou a outra
bacia artificial, junto à qual se encontram outras tomadas de água de
uma eventual central situada a jusante.
4 -
Estimativa da energia produzida
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A quantificação da energia que
se estima produzir através de construção do aproveitamento
hidroeléctrico depende do valor da potência a instalar e do
período de mobilização dessa potência instalada, ou seja, o
número de horas que se estima para o funcionamento da central.
Por seu lado, a definição da potência é dependente do valor da
queda, ou desnível topográfico conseguido para a implantação da
obra, e do caudal, grandeza esta que é variável com o tempo.
Deve-se assim estudar com adequado rigor a conjugação destas
duas variáveis, de forma a garantir que a sua combinação
proporcione valores de potência e de energia úteis que
justificam, do ponto de vista económico. |
A - Potência a instalar teórica
Cálculo da energia
potencial contida numa massa de água:
Wp = M * g
* Hb
M : Massa de água
g : Aceleração da
gravidade
Hb : Altura bruta da queda
de água
A potência a
instalar teórica é dada pela seguinte expressão:
Pt
= d( Wp ) / dt = d( M * g * Hb ) / dt =
g * Hb * d (
r * V ) = g *
Hb * r
* dV / dt
Sendo:
Pt -
Potência teórica
V - Volume
r
- Massa volúmica da água
dV
/dt = Q - Caudal
A
potência útil difere deste valor pois a diferença de cotas de linha de
energia a montante e a jusante do empreendimento é menor que a queda
bruta, dado:
- a existência de perdas de energia associadas à existência do
circuito hidráulico e da própria turbina;
-
a existência do grupo com todos os seus componentes electromecânicos
implicará a consideração do valor do seu rendimento, o qual sendo
inferior à unidade, implica distanciar ainda mais o valor da
potência útil da potência teórica.
Assim é possível
concluir que a potência útil Pu é calculada por:
Pu =
r
*
g
*
h
t
*
Hu
*
Q
h
t : Rendimento do grupo
Hu
: Queda útil
B - Cálculo da queda útil
A queda útil é dada
pela seguinte expressão:
Hu = Ht -
D
H
Em que
D H representa a perda de
energia ao longo do circuito hidráulico, incluindo a turbina.
Admite-se como valor corrente de perda
de energia 8%.
C - Cálculo da energia
Assim a energia
será quantificada pelo integral da potência útil :
E =
ò
Pu
*
dt =
ò
r
*
g
*
h
t
*
Hu
*
Q
*
dt
O
valor da potência depende dos caudais ocorridos e consequentemente, o
valor da energia estará dependente do período de ocorrência desses
mesmos caudais. Constata-se da expressão anterior que é necessário
caracterizar não só a variabilidade de ocorrência dos caudais no que
respeita à sua magnitude, mas também o intervalo de tempo em que os
mesmos ocorrem.
O estudo da evolução dos valores dos
caudais afluentes característicos deverá ser efectuado aquando do estudo
de viabilidade técnico-económica.
5 -
Classificação das centrais hidroeléctricas
As centrais
hidroeléctricas podem classificar-se quanto a:
A -
Queda
aproveitada
Conforme a altura
de queda útil, as centrais podem classificar de :
- alta queda
: para h > 250m
- média
queda : para 50 < h < 250m
- baixa
queda : para h < 50m
B – Caudal
Consoante o caudal,
assim poderemos classificá-las em centrais de:
- grande
caudal : para Q > 100 m3/s
- médio
caudal : para 10 < Q < 100 m3/s
- pequeno
caudal : para Q < 10 m3/s
C - Tipo de aproveitamento
Quanto ao tipo de
aproveitamento, as centrais hidroeléctricas podem classificar em :
As
centrais de fio de água não têm possibilidade de efectuar grande
armazenamento de água. Assim, se o volume excede os limites para os
quais foi dimensionada, a água é esvaziada e turbinada, de modo a não
haver desperdícios.
As centrais que possuem grande
capacidade de armazenamento podem regular os fluxos de água, de modo a
utiliza-los na época mais conveniente, tratam-se das centrais de
albufeira. Com efeito, estas centrais armazenam o mais possível a água
durante o Inverno, de modo a poderem fornecer energia nos períodos de
menor pluviosidade. O objectivo principal desta medida consiste em
manter a potência total útil em níveis suficientes para responder ás
pontas dos diagramas de carga, aquando da solicitação do Centro de
Despacho. Na verdade, uma central uma central com muito pouca água
produz uma potência reduzida ou nula. Se houver muitas centrais nestas
condições a potência total útil pode, em determinados períodos, ser
insuficiente para responder às necessidades, o que obriga à importação
de energia.
A classificação das centrais portuguesas
é feita de acordo com a duração da esvaziamento das respectivas reservas
de água, supostas inicialmente completas e admitindo que os caudais
afluentes, durante o esvaziamento, são nulos e que a central trabalha
constantemente a plena carga. Nesse definem-se como :
- Centrais de albufeira : aquelas cuja duração de esvaziamento é maior
ou igual a 100 horas.
- Centrais de fio de água : aquelas cuja duração de esvaziamento é
menor que 100 horas.
D - Serviço desempenhado
Quanto ao serviço
desempenhado, as centrais podem ser classificadas em centrais de ponta e
centrais de base.
Uma central diz-se de serviço de base
quando funciona de modo contínuo, com carga praticamente constante. É o
caso das centrais a fio de água, cujo funcionamento é permanente, para
não desperdiçar água turbinável. Uma central diz-se em serviço de ponta
quando funciona para cobrir as necessidades energéticas de certas pontas
de consumo é o caso das centrais de albufeira, que apenas são chamadas a
intervir nas pontas de consumo, durante algumas horas.
Note-se que teoricamente, qualquer
central pode funcionar num ou noutro regime, com maiores ou menores
vantagens económicas ou técnicas (pluviosidade, preço do carvão, etc).
As mini-hidrícas são centrais de
baixa queda, pequeno caudal e de fio de água. O serviço desempenhado é
de base tendo em conta que a produção é insignificante no contexto
energético nacional, destinando-se a fornecer energia a pequenos
aglomerados populacionais situados nas imediações das centrais. Este
último aspecto evidencia o pequeno custo de investimento e as baixas
perdas relativas à curta distância entre a geração e o consumo.
6 –
Bibliografia
CEEETA (Centros de Estudos de Economia
de Energia, Transportes e Ambiente) 1987. Projecto Mini-Hídrico.
Lisboa: Secretaria de Estado do Ambiente e Recursos Naturais.
Estevan Bolea, M. T.
1984. Evaluación del Impacto Ambiental.
Madrid: ITSEMAP, Mapfre.
Monition, L., M. Le e
J. Roux 1984 – Mycro hydroelectric Power Stations, Chichester:
Wiley.
HP (Hidrotécnica Portuguesa) 1980.
Inventário de Energia Hídrica. Lisboa: Direcção Geral de Energia.
José V. Matias e Ludgero P. N. Leote.
Produção, Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica:
Didáctica Editora.
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